– ele tripudia enquanto escreve, tripudia enquanto lê, tripudia enquanto ama e até quando Deus quiser.

Conto “Arranha-céus” comentado

*Comentário sobre o conto “Arranha-céus” publicado neste blog no dia 13 de julho de 2010. O texto é de Helena Reis, estudante da Grande Belo Horizonte e também escritora. Seus textos estão disponíveis no blog “Gota de limão”. Os links do conto e do blog “Gota de limão” está abaixo do corpo do texto.

“A finalidade da experiência passional seria, na verdade, a própria experiência, e não seus frutos, quer fossem doces ou amargos.
[…] Mas haveria necessidade de ensinar aos homens como deveriam concentrar-se nos momentos de uma vida que por si mesma nada mais é que um momento’’
(OSCAR WILDE EM O RETRATO DE DORIAN GRAY)

Leveza, sonho e ao mesmo tempo realidade caracterizam este pequeno conto de Vinícius Reis.

O ato simples e habitual de ir à sacada torna-se necessário e único para a história. Um homem comum, que ao ver uma ”mulher maravilhosa” seminua deixa o comum de lado e faz crescer seu lado homem e então seu instinto fica à flor da pele. Mas ele se importa com o mundo lá fora: “Se alguém passasse e me visse observando a mulher que agora despia lentamente a camisola enquanto observava a paisagem dos arranha-céus me chamaria de pervertido.”.

A mulher estava ali para envolvê-lo, para excitá-lo, mas ela não sabia disso. Talvez nem ele, que estava ali, a assistir tudo como uma peça e prestes a bater palmas.

O ar da noite faz com que o texto tome uma atmosfera leve e leviana ao mesmo tempo.

O texto torna-se único a partir do momento que o narrador-personagem dá total valor a ela, uma mulher desconhecida (mas que se torna interessante e atraente pelas condições em que está) e esquece de si mesmo. Ele levanta expectativas e delira com cada gesto da criatura. Ela, por nem saber que ele está ali, que ele existe, age naturalmente.

Não existiria melhor fim para ela: morrer linda, desconhecida, desejada e intocada do mesmo jeito como apareceu na sacada. A vontade de que morram os arranha- céus, agora, dissemina, faz-se presente em todos.

Enquanto a vida dele se resumiu naquele momento voluptuoso e único, a dela se resumia em seduzir e instigar. E eles, como extraordinários elementos de uma história se concentram “nos momentos de uma vida que por si mesma nada mais é que um momento’’.

O homem, sem querer, vive uma experiência profunda e silenciosa. Uma experiência que a mulher fez possível, mas ela nunca saberá disso. Ela torna-se vítima e culpada ao mesmo tempo, mas não deixa de ser maravilhosa. Ela deixou para ele esse legado, que com certeza, nem ele, nem nós sabemos se seus frutos foram doces ou amargos.

Creio que os frutos estão intactos, todavia.

HELENA REIS – 25 de setembro de 2010

Conto “Arranha-céus”: https://tripudie.wordpress.com/2010/07/13/arranha-ceus/

Blog de Helena Reis: http://dropoflemon.blogspot.com/

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Uma resposta

  1. Feliz por nós.

    04/11/2010 às 20:18

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